Filme Terra Vermelha

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O filme Terra Vermelha é um convite para refletirmos as relações que se dão entre o branco (que vive na região onde tem reservas e tribos indígenas) e os povos indígenas. Até que ponto estão certos ou errados? Quais são os direitos e de quem são os direitos? E as terras? São daqueles que produzem nela e movimentam a economia do país ou daqueles que sempre estiveram lá, cuidando, preservando, ajudando o equilíbrio climático, da fauna e da flora?

O cenário e as situações mostrados no filme, são complexos e cheios de interrogações. Mistura concepções vindas de brancos estrangeiros, do brancos brasileiros, dos indígenas que vivem fora da cultura e dos indígenas nativos. Em quase duas horas de filme, quem assiste não sabe o que pensar, é conflitante.

Não tem como saber sem uma profunda reflexão, e sem algumas horas de debate, a solução para os problemas demonstrados. Pode parecer óbvio que as terras são dos indígenas, por mais que sejam, existem várias vertentes sociais que rebatem esse direito, ainda mais quando os indígenas começam a agir como os brancos. É como se eles perdessem a identidade e com isso, o direito “primário” ao lugar que é deles de origem.

É indispensável que se assista esse filme, ainda mais quando se trata de estudar Etnologia Brasileira, pois nossa origem é indígena, nosso povo é mestiço, surgem da mistura de indígenas, brancos e negros, mas a origem é indígena, eles já estavam aqui quando houve a invasão dos europeus. #MaisQueRecomendado #ReferênciaObrigatória

Por Cinthia Almeida

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Arte Kusiwa Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi

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Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil

Nossa origem é indígena, nosso primeiro “Brasil” era cheio de muita energia vinda da natureza, de muito respeito aos animais, à mata e aos seus iguais. A cultura indígena brasileira é o exemplo que deveríamos ter de “povo brasileiro”, que não se importa de ser o que são, porque essa é a verdade deles, a natureza é o bastante para se viver em paz.

Hoje carregamos uma tristeza, ou pelo menos deveríamos carregar, por ter permitido que tantas vidas se perdessem nos caminhos brasileiros. E uma postura que deveríamos rever, é a de fazer estátuas pelas cidades, ressaltando os assassinos do nosso povo indígena. Nada justifica a morte, mesmo todas as estradas, todas as cidades que surgiram, em terras indígenas, todo “progresso”, enfim, nada justifica dizimar várias culturas e desfigurar toda uma população em prol de uma referência.

Diante dos fatos não há argumentos, ou seja, foram mortos! O que resta agora é preservar o que ficou. E uma dessas culturas que resistiu à ação do tempo foi a Arte Kusiwa ( Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi), que para ter sua existência garantida, em 2002, passou a ser Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil e no ano seguinte, recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, ou seja, super reconhecido por todos! #AntesTardeDoQueNunca



“A arte Kusiwa é um sistema de representação gráfico próprio dos povos indígenas Wajãpi, do Amapá, que sintetiza seu modo particular de conhecer, conceber e agir sobre o universo. Como patrimônio imaterial, a Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi foi inscrita no Livro de Registro das Formas de Expressão, em 2002. No ano seguinte, recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A Terra Indígena Wajãpi – demarcada e homologada em 1996 – é uma área muito preservada, onde vivem cerca de 1,1 mil indigenas, em 48 aldeias. Essa arte está vinculada à organização social, com uso adequado da terra indígena e o conhecimento tradicional. Os indígenas usam composições de padrões Kusiwa nas costas, na face e nos braços. A pintura é para todos os dias e quando os adultos se pintam, os jovens aprendem a fazer composições de kusiwarã no corpo…” (Mais sobre a arte Kusiwa – IPHAN

Fotos de Heitor Heali, publicadas no site da IPHAM

Documentário: Kusiwarã – as marcas e criaturas de Cobra Grande

Registro da Arte Kusiwa – Linguagem e Arte Gráfica Wajãpi (Brasil)

 Por Cinthia Almeida

A missão que mudou o Brasil

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Na infância, aprendemos que o Brasil foi “descoberto por acaso”, que os portugueses, que tinham o objetivo de chegar à Índia, erraram o caminho e “acharam” o Brasil. Você consegue imaginar o que é “achar” um país? Algumas perguntas ficam no ar quando pensamos por esse viés, né? Por exemplo:

  • Tinha alguém morando nesse “país”?
  • Era só natureza e ai “inventaram” ou “construíram” um país?
  • Mas se descobriram, devemos entender que já existia uma civilização, mas estava “escondida”?
  • Disseram que tinham os índios, e eles já sabiam que eram brasileiros ou eram apenas índios?

Essas questões não são abordadas no período primário escolar, porque as crianças são pequenas demais para ouvir e estudar tamanha complexidade que era o Brasil, e ainda é!

Os indígenas já estavam aqui desde sempre, quando falamos desde sempre, queremos falar que, o “Brasil” (que até o momento da chegada dos portugueses não tinha esse nome) era um território habitado, com várias etnias indígenas, convivendo entre si e “escrevendo” suas histórias. Então, o Brasil não foi achado, descoberto ou inventado, simplesmente já existia como continente (que estava do outro lado do Oceano Atlântico) e em 1.500, com as Navegações portuguesas, tivemos o “prazer” de receber a visita que mudaria a nossa história.

Como dito no começo, o Brasil tem uma sociedade complexa, desde a formação do que conhecemos por Brasil (pós chegada dos portugueses), até os dias de hoje. Darcy Ribeiro escreveu um livro que ilustra muito bem o que podemos chamar de “Brasil Indígena”, aquele que não tinha a interferência dos europeus e dos africanos (que vieram depois dos europeus, na condição de escravos): O Povo Brasileiro. Leitura indispensável para quem quer ter a outra versão dos fatos, que não está nos livros didáticos!

Além da obra recomendada, indicamos o filme “A Missão“, que mostra um recorte do que foi a colonização dos índios e as missões dos Jesuítas. O longametragem mostra um curto período, mais exatamente o fim das missões Jesuítas, mas é super interessante porque fica claro o interesse da Europa (como Estado), da Igreja, dos Missionários e dos Indígenas, com relação ao momento em que estavam vivendo. Não vamos contar, queremos que vejam e analisem, é um filme antigo, que retrata um momento mais antigo (século XVIII), porém, muito atual, como dizem nas redes sociais: #Tão2016 – Veja o filme A Missão

Para complementar o filme, indicamos a leitura do artigo  Profetas e santidades selvagens. Missionários e caraíbas no Brasil colonial, uma análise do contexto social do Brasil colonial, das cartas enviadas para a corte e a igreja e dos fatos que foram registrados naquela época.

TRECHO: …POVOS SEM RELIGIÃO – No caso específico do domínio do “religioso”, as descrições dos viajantes e, sobretudo, dos missionários, são iluminadoras da atitude do ocidente evangelizador diante dos habitantes da Terra dos Papagaios: a descrição dos “selvagens” e de sua religião (ou, melhor, da falta desta) é uma construção que, por um lado, é devida à impossibilidade de reconhecer nos índios o modelo de alteridade religiosa oferecido pelo paganismo clássico e, por outro, é funcional ao projeto catequético. […] Entre os tupinambá, os missionários não encontraram nenhum sinal da “idolatria” ou do “paganismo” que eles esperavam e que caracterizava outras regiões do Novo Mundo, como o Peru incaico ou o México asteca: crenças, sacrifícios, ídolos. Nos relatos, não apenas de missionários de diversas ordens religiosas, ou até de diversas confissões, mas também de viajantes leigos, esta ausência de crença, seja mesmo idólatra, junto com a ausência de outros princípios da civilização que até os pagãos têm, é patente…”

Ler a íntegra o artigo: Profetas e santidades selvagens. Missionários e caraíbas no Brasil colonial (de Cristina Pompa – Doutoranda da UNICAMP e da École de Hautes Études en Sciences Sociales).

Veja o trailer do filme:

Aprender sobre a nossa história vai além de entender o que somos, é antes de mais nada, respeitar quem somos e nos assumirmos de fato! Nossas raízes falam muito sobre nós e ter orgulho de sermos indígenas, é uma questão de entender que o brasileiro respeita o meio ambiente, o próximo e a vida, não é?! #SangueÍndigenaAfricanoEuropeu 😉

Por Cinthia Almeida