O pensamento de Sérgio Buarque de Holanda

Esta postagem tem por objetivo fazer uma seleção introdutória de textos e vídeos em torno do pensamento de Sérgio Buarque de Holanda. Suas idéias são discutidas em diversas esferas e ramificações das Ciências Sociais (em sentido amplo) dada sua originalidade e contribuição para o pensamento social brasileiro, em especial por suas chaves de reflexões sobre os “sentidos do Brasil”.

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Esses conteúdos foram especialmente selecionados para as aulas específicas sobre o autor, que integram a disciplina Pensamento Político e Social Brasileiro (PPSB).

Textos e Livros

CANDIDO, Antonio. O significado de Raízes do Brasil. in (Prefácio) Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das letras, 2004.

HOLANDA, Sérgio. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das letras, 2004.

_______. Sérgio Buarque. Visão do Paraíso : os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

LIMA, Luiz Costa. Sérgio Buarque de Holanda: visão do Paraíso. in REVISTA USP, São Paulo, n.53, p. 42-53, março/maio 2002

MONTEIRO. Pedro Meira. Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda : correspondência / (org) Pedro Meira Monteiro. — 1a ed.— São Paulo : Companhia das Letras : Instituto de Estudos Brasileiros: Edusp, 2012.

RICUPERO, Bernardo. Sergio Buarque de Holanda. in Sete lições sobre as interpretações do Brasil. São Paulo: Alameda, 2011. Cap. 4


Vídeos

Raízes do Brasil 

A vida e obra de Sérgio Buarque de Hollanda, um dos principais intelectuais do Brasil no século XX e autor dos livros “Raízes do Brasil” e “Visões do Paraíso”. Dividido em duas partes, o filme mostra desde o cotidiano de Sérgio, incluindo o modo como interagia com a família e amigos, até um panorama cronológico de sua época, em que lidou com o nazismo, os anos de Getúlio Vargas no poder e a ascensão do movimento modernista no Brasil.

Parte I 

Parte II


Cidade de Leitores trata do “homem cordial” de Raízes do Brasil
Conceito formulado por Sérgio Buarque de Holanda em seu clássico livro, o programa fala do “homem cordial”. A família patriarcal e a herança rural na formação social brasileira, a relação entre o público e o privado e o domínio dos afetos são aspectos de Raízes do Brasil presentes nos livros e na peça em debate em Cidade de Leitores. A apresentadora Leila Richers entrevista o professor de Literatura Comparada da Uerj João Cezar de Castro Rocha, autor de O Exílio do Homem Cordial e Literatura e Cordialidade — O Público e o Privado na Cultura Brasileira, e Sérgio de Carvalho, diretor da peça O Patrão Cordial.
Parte 1
Parte 2
Parte 3

Pedro Monteiro discute a atualidade de ‘Raízes do Brasil’

Professor de Princeton, Pedro discute como a obra de Sérgio Buarque de Holanda, aos 80 anos, é capaz de explicar o contexto brasileiro ainda hoje. Ele fala da atualidade de “Raízes do Brasil”, tratando das relações do indivíduo com o Estado, com o Pacto Político, tudo ligado ao momento do “entre guerras” no início do Século XX. O livro teria mais perguntas que respostas, sendo talvez uma das chaves para se compreender sua atualidade. Pedro discute também o duplo sentido do “homem cordial” (como tipo ideal). Equivocadamente, ela já foi lido, em princípio, como “algo bom”, enquanto aproximação não conflituosa entre os sujeitos políticos, o que se demonstrou um grande mito. O livro trata da permanência da oligarquia e seu espírito, bem como de uma recomposição contemporânea dos interesses oligárquicos. Pedro também fala da permanência do princípio oligárquico, retornando transvestido em capital financeiro. 


Vídeos do Seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda”

O Seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” foi promovido pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. Especialistas em diferentes aspectos da obra do historiador discutiram os diversos temas sobre os quais refletiu. Personalidade pouco convencional, Sérgio Buarque de Holanda deteve-se sobre várias áreas do conhecimento, sendo exemplo ímpar de intelectual com amplo campo de interesses, que apesar da diversidade foram sempre abordados com densidade. A intenção do seminário foi divulgar suas ideias a um público mais amplo e reafirmar a atualidade de seu pensamento.

1 – Antônio Candido: Um homem, duas cidades
Em setembro de 2011, Antônio Cândido participou do seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda“, promovido pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP. Antônio Cândido fala do Sérgio Buarque de Holanda do Rio de Janeiro e de São Paulo. Fala do papel dessas cidades e e da vida cultural delas na formação do historiador. Trata, também, da contribuição do Rio de Janeiro para a formação intelectual.

2 – Laura de Mello e Souza: a mineração e a sociedade movediça
Palestra da historiadora Laura de Mello e Souza no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. Uma análise do trabalho de Sérgio Buarque de Holanda sobre a atenção que ele deu para a história social, política, econômica e cultural da capitania de Minas Gerais. A florescência artística e literária em Minas Gerais durante o ciclo da mineração e o caráter ilusório da atividade mineradora.
3 – Richard Graham: a eleição como um drama
Palestra do historiador Richard Graham, professor emérito da Universidade do Texas em Austin, no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. A política no Rio de Janeiro durante o Império no Brasil e o espetáculo das eleições. Como Sérgio Buarque de Holanda retrata em detalhes o teatro das eleições durante o reinado de Dom Pedro II. Quem eram os atores, a platéia, o palco e o papel que cada um desempenhava.
4 – Maria Odila Dias: o poder no Império
Palestra de Maria Odila Dias, professora de História da PUC de São Paulo, no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. Como Sérgio Buarque de Holanda descreve o Império no Brasil e o processo político no livro Capítulos de História do Império, organizado por Fernando Novais. Os costumes da sociedade colonial que não mudaram com a Independência, o liberalismo de fachada e o excesso de poder do Imperador Dom Pedro II.
5 – Pedro Meira Monteiro – Cartas trocadas: Mário de Andrade e Sérgio Buarque
Palestra de Pedro Meira Monteiro, professor de Literatura Brasileira na Universidade de Princeton, no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. Uma análise das cartas trocadas entre Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda nas décadas de 1920 e 1930. A relação entre os dois e a leitura e interpretação de trechos das cartas.
6 – Antonio Arnoni Prado: Crítica aos modernistas
Palestra de Antonio Arnoni Prado, professo do departamento de Teoria Literária da Unicamp no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. Os textos de Sérgio Buarque de Holanda sobre a Semana de Arte Moderna de 22. A pesquisa e a originalidade literária de Sérgio Buarque, a busca por uma verdadeira expressão da vida cultural brasileira e as críticas às obras de Mário de Andrade e Oswald de Andrade.
7 – Nestor Goulart Reis Filho: Sobre o Semeador e o Ladrilhador
Palestra de Nestor Goulart Reis Filho, professor do departamento de História da Arquitetura e Estática do Projeto (FAU-USP), no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. O diálogo da arquitetura e da urbanização do Brasil com o livro de Sérgio Buarque de Holanda Raízes do Brasil.
8 – Antonio Carlos Robert de Moraes: Geografia em Sérgio Buarque
Palestra de Antonio Carlos Robert de Moraes, coordenador do Laboratório de Geografia Política da USP, no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. A presença marcante da abordagem geográfica nos trabalhos de Sérgio Buarque de Holanda, onde a discussão sobre a formação territorial é o tema central e também uma crítica à ruralidade brasileira. A ocupação do território brasileiro, a formação da sociedade e a utilização do espaço para a construção do Estado.
9 – Maria Alice Rezende de Carvalho: Vida intelectual e urbana
Palestra de Maria Alice Rezende de Carvalho, professora do departamento de Sociologia e Política da PUC-RJ, no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. Uma discussão sobre como as ciências sociais lidam com o legado da obra de Sérgio Buarque de Holanda. A mudança do historiador para São Paulo, em 1946, e a influência da Universidade de São Paulo na sua vida intelectual.
10 – Brasilio Sallum Jr: Democracia e Cultura Política
Palestra de Brasilio Sallum Jr, Professor Titular de Sociologia da Universidade de São Paulo, no seminário “Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda” realizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, IEB/USP, entre 13 e 16 de setembro de 2011. Traça um panorama da democracia e da cultura política no Brasil e no mundo nas duas edições do livro de Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil. A primeira edição escrita em 1936 e a segunda lançada em 1947.
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Reforma da Previdência Social

carteira-de-trabalhoAntes de falarmos em reforma, é preciso saber o que estamos reformando. Você sabe o que é Previdência Social e para que serve?

A Previdência Social (no Brasil) é um direito social, previsto no art. 6º da Constituição Federal de 1988 entre os Direitos e Garantias Fundamentais, que garante renda não inferior ao salário mínimo ao trabalhador e a sua família nas seguintes situações, previstas no art. nº 201 da Carta Magna:

I – cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada;
II – proteção à maternidade, especialmente à gestante;
III – proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;
IV – salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda;
V – pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes. – Site: Previdência – Ler mais sobre Previdência SocialAposentadoria por tempo de contribuição

Em termos mais simples: “…a Previdência Social é um seguro público que tem como função garantir que as fontes de renda do trabalhador e de sua família sejam mantidas quando ele perde a capacidade de trabalhar por algum tempo (doença, acidente, maternidade) ou permanentemente (morte, invalidez e velhice)…” Site: Guia de Direitos – Ler mais sobre Previdência Social

LINHA DO TEMPO: A história da Previdência Social no Brasil (Site Educação Previdenciária)

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Estamos em 2017, e o ano foi marcado pela votação da PEC 287 – Reforma da Previdência, que muda algumas regras na aposentadoria. Essa reforma é alvo de muitas críticas por não ser positiva para países como o Brasil, que tem um contexto social precário e marcado pelo abandono dos governantes.

Fizemos um apanhado de opiniões sobre o tema, que deve ser debatido constantemente para que a população saiba o que perde o cidadão que acredita que essa reforma que está sendo proposta na PEC 287 é positiva. Antes entenda como funciona uma votação e o que pode ser mudado:

Como foi feita a votação?

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Fonte: Uol Economia

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O que vai mudar com a PEC 287?

As mudanças propostas são:

  • Implementação de idade mínima para aposentadoria, igualando homens e mulheres para a idade de 65 anos;
  • Cálculo do benefício levando em consideração 51% da média das contribuições mais 1% para cada ano contribuído;
  • Aposentadoria especial com idade mínima de 55 anos;
  • Fim da aposentadoria por tempo de contribuição;
  • Fim da aposentadoria especial do professor;
  • Implementação de contribuição previdenciária para o segurado especial ou trabalhador rural;
  • Valor da pensão por morte reduzida para 50% mais 10% para cada dependente, se houver;
  • Benefício de prestação continuada com idade de acesso aos 70 anos e desvinculação do salário mínimo;
  • Fim do fator previdenciário;
  • Fim da regra de pontuação 85/95;
  • Fim do acúmulo de benefícios, como pensão por morte e aposentadoria;
  • Regra de transição para homens com 50 anos e mulheres com 45 anos.

Leia mais sobre: Reforma da Previdência: Entenda o que pode mudar na sua aposentaria

O que pensam especialistas, estudiosos, instituições e movimentos sociais:

Sindicalistas e Movimentos Sociais
Reforma da Previdência (vídeo explicativo  produzido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) para a Frente Povo Sem Medo. Narração: Wagner Moura)

Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo – Entrevista com:  Denise Lobato Gentil, professora de Macroeconomia e Economia do Setor Público do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

“Sob o velho argumento de que o sistema é deficitário, retoma ao centro do debate a antiga fórmula de promover mudanças na Previdência. Sem ainda apresentar proposta fechada, o governo interino de Michel Temer tem se reunido com centrais sindicais na busca de consenso. O que há de unânime entre as lideranças dos trabalhadores é que “é inoportuna qualquer proposta de reforma paramétrica que signifique supressão ou restrição de direitos adquiridos”.

Sindicalistas e especialistas também rebatem a justificativa de déficit. Denise Lobato Gentil, professora de Macroeconomia e Economia do Setor Público do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta: “É um falso discurso. Está sendo usado para alardear a população que se trata de um sistema quebrado e que, portanto, é necessária uma reforma, que implica corte de gastos e, por sua vez, de benefícios.” A afirmação foi feita em entrevista ao Engenheiro, publicação da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), em abril último. “O déficit na seguridade social é uma verdadeira farsa. Somente no último ano, houve superávit de R$ 54 bilhões”, enfatiza o senador Paulo Paim (PT-RS). Ele lançou, juntamente com o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), em junho último, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência. Entre os pleitos, a retomada do Ministério da Previdência – fundido ao do Trabalho – e o enfrentamento à reforma…” Leia mais em: Direitos – Movimento sindical contra a reforma da Previdência

Araldo Neto – Edição de jan/fev da Revista ADverso – ADUFRGS-Sindical

“Mais um duro golpe contra toda a classe trabalhadora está em andamento. Depois da chamada “PEC do fim do mundo”, que congela os investimentos públicos por 20 anos, o governo de Michel Temer quer aprovar, ainda no primeiro semestre deste ano, a PEC 287, que cria um novo sistema de seguridade social no Brasil. Na prática, o que vai acontecer é muito mais do que uma reforma. A proposta, que tramita na Câmara e deve ser votada ainda no primeiro semestre, inviabiliza uma aposentaria digna para o trabalhador em tempo razoável para que possa usufruí-la. Se for aprovada, o trabalhador só terá direito a 100% do salário com 49 anos de contribuição (veja os exemplos nesta reportagem)….” Ler mais em: Reforma da Previdência: Morrer trabalhando

Jorgetânia Ferreira – presidenta do Sindicato dos Docentes da UFU – ADUFU

“…De acordo com a presidenta do Sindicato dos Docentes da UFU – ADUFU, Jorgetânia Ferreira, uma das fundadoras do Comitê, a Reforma da Previdência é injusta porque penaliza principalmente os pobres, as mulheres, professores da educação básica e os trabalhadores e trabalhadoras rurais. Eleva a idade mínima de homens e mulheres para 65 sem considerar que as mulheres geralmente têm múltiplas jornadas de trabalho. Por exemplo, com tarefas domésticas e cuidados com crianças, idosos, familiares enfermos e pessoas com deficiência. Esta sobrecarga histórica foi reconhecida pela Constituição Federal de 1988 que estabeleceu 5 anos menos na idade das mulheres aposentarem, em relação aos homens. …” Ler mais em: TRABALHAR ATÉ MORRER? NÃO! LUTE CONTRA ESSA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

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Acadêmicos e Instituições

Flávio Roberto Batista (Faculdade de Direito da USP) diz que a idade mínima não permite que a maioria das pessoas se aposente. “Com um mercado de trabalho majoritariamente braçal, como é o brasileiro, os 65 anos propostos não permitem que a maioria das pessoas se aposente”, diz o professor da Faculdade de Direito. Na verdade, a proposta do governo vem enfrentando reação de movimentos sociais, que já se manifestaram contrários a ela…” Ouça o áudio da entrevista: Reforma da Previdência não pode ser aprovada como está, afirma professor

“Uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) analisou os dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para traçar algumas possíveis consequências da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 287, também conhecida como Reforma da Previdência. O estudo concluiu que as mudanças de regras de concessão dos benefícios previdenciários e dos benefícios da assistência social do regime vão limitar o acesso a esses recursos, comprometendo assim a produção agrícola das pequenas propriedades rurais e reduzindo o fluxo de renda em centenas de municípios brasileiros. Com isso, segundo a pesquisa, a economia dessas cidades estará ameaçada…” Ler mais em: Pesquisa da UFG analisa os impactos da reforma da Previdência – Baixar Ebook sobre: RISCO SOCIAL NO ESPAÇO RURAL

“O Projeto de Reforma da Previdência apresentado pelo governo, chega com uma série de alterações nas regras atuais que atinge quase todos os trabalhadores. Para entrar em vigor, as mudanças ainda serão aprovadas pelo Congresso e a reformas erá feita por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC)…” Prof. Dr. José Roberto Ferreira Savoia (FEA-USP) – Ver mais em: Vídeo aula: Desafios da Reforma da Previdência -CIPA IME/USP (17/03/2017)

Reforma da Previdência (Visão de Advogados Trabalhistas)


DECLARAÇÃO OFICIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Presidente_Michel_Temer_Reforma_PrevidenciaO Palácio do Planalto tem a página Oficial no Facebook, onde todos aos pronunciamentos do Presidente em Serviço é feito ao vivo. Os vídeos ficam disponíveis, abaixo segue o link do pronunciamento oficial sobre a Reforma da Previdência (05/12/2016)

Link: https://www.facebook.com/PalacioDoPlanalto/videos/812116922259509/


Agora que já sabemos o que é a Previdência e o que estão querendo mudar, já somos capazes de refletir e questionar sobre o tema. Tudo que está diretamente ligado ao povo, deve ser debatido, refletido e muito bem argumentado antes de ser simplesmente modificado. Vivemos numa democracia representativa (o povo elege representantes de suas necessidades), na qual direitos têm que ser preservados. Fique atento, busque informação e faça a sua reflexão!

Por Cinthia Almeida

Resenha do livro Ideologia no Livro Didático

Ideologia no Livro DidaticoO livro Ideologia no Livro Didático (livro em PDF) apresenta um estudo realizado pela autora Ana Lúcia G. de Faria sobre as ideologias presente nos livros didáticos de educação básica e o efeito que este ensino de caráter dominante causa no desenvolvimento dos alunos. Para isso, foram observadas as ideias predominantes entre alunos de classe burguesa e do proletariado, e como os ensinamentos do livro didático contribuem para determinar o modelo de pensamento destes alunos.

Para alunos da rede pública, o trabalho é uma forma de sobrevivência. Para estas crianças, o trabalho é uma forma de cooperar para a harmonia da sociedade. Cada um possui uma função “natural” nos meios de trabalho, e só os mais inteligentes conseguem alcançar melhores cargos. O pedinte que não possui um trabalho formal é visto como preguiçoso, e não há um questionamento sobre sua situação. Para estes alunos o trabalho é uma forma de enriquecimento, mas ao mesmo tempo há um conformismo sobre a pobreza que vivenciam.

O livro didático representa para os alunos de classe operária uma realidade dada, sem o menor confronto ou crítica. As ideologias demonstram que as coisas acontecem de forma natural, e resta ao aluno de baixa renda apenas aceitar as coisas como são, ocultando-se desta forma a dominação de uma classe sobre a outra.

Já, para as crianças da classe burguesa, trabalhar é como praticar um esporte. A escola é aliada do trabalho pois é ela quem conduz a uma profissão. Para estes alunos apenas o trabalho intelectual tem valor, o trabalho manual é visto como inferior, e ter uma boa profissão depende apenas de mérito pessoal, desta forma só é pobre quem não é esforçado.

As crianças da classe burguesa aprendem desde cedo que devem manter as melhores profissões e maiores posições sociais. As ideologias do livro didático contribuem para determinar a função de cada um na sociedade, a criança pobre a se conformar com as dificuldades, e a criança rica a se preparar para deter os meios de dominação.
O trabalho é sempre mostrado de forma fetichizada, e motivo de orgulho para quem trabalha, nunca se aborda no livro didático a exploração no trabalho, nem as péssimas condições as quais são submetidos muitos trabalhadores e as classes sociais parecem inexistentes. O trabalho é sempre o que “dignifica” o homem e gera o progresso.

O desenvolvimento do trabalho no livro didático acontece de forma natural. Exclui-se os processos históricos na formação dos meios de produção, tudo acontece por acaso, e a força de trabalho é o meio para se chegar ao progresso.

Para isso, é necessário que haja uma “cooperação” entre as diferentes formas de trabalho. O trabalhador é o herói que luta pelo avanço da sociedade, não há classes nem conflitos, todos se unem em prol de um bem maior.

As ideologias do livro didático sugerem que devemos buscar sempre o progresso, chegando inclusive a demonstrar repúdio às favelas, que seria uma forma de atraso. Porém, não é discutido no livro didático o motivo da existência desse tipo de moradia, e nem o contexto que leva as pessoas de baixa renda a residirem nesses locais.

A educação, segundo o livro didático é o que garante que as pessoas tenham um bom emprego,que dependerá do esforço de cada um. Desta forma o livro didático leva à exclusão as crianças que não frequentam a escola pelos mais variados motivos, como a falta de vagas nas escolas ou pela necessidade de trabalharem para complementar a renda da família. O indivíduo é sempre o culpado pela sua realidade social.

A função das ideologias no livro didático é sempre mascarar a dominação de uma classe sobre a outra, e inculcar nas crianças desde cedo os valores da classe dominante, mantendo assim o poder que esta classe exerce sobre os dominados.

Porém, mudar o livro didático apenas não é suficiente para reverter esta situação. O professor deve estar ciente do sistema de dominação existente na escola, e buscar estratégias para tornar o aluno mais crítico desta realidade.

O professor pode mesmo com os recursos didáticos ideológicos presentes nas escolas, instigar o aluno à observar os conteúdos do livro didático e relacioná-lo com a própria realidade, tentando desta forma fazer com que o aluno perceba a dominação presente nestes conteúdos.

Esta análise realizada nos livros didáticos demonstra como as ideologias se fazem presentes não só nos livros didáticos mas nos meios de transmissão de conhecimento de uma forma geral. As ideologias apresentadas às crianças em fase escolar interferem no desenvolvimento destas crianças,que aprendem a pensar de acordo com as ideias do sistema, e não constroem nenhum senso crítico. O trabalho do professor ao utilizar os livros didáticos pode desmascarar as ideologias que visam manter a classe dominante e contribuir para a formação de uma nova sociedade.

Resenha desenvolvida pela aluna: Érica Espanha Castelucci do curso Ciências Sociais – Licenciatura / 3º semestre 2016

Referência:
FARIA, Ana Lucia G.Ideologia no livro didático.16.ed.São Paulo:Cortez, 2008,101.p.