19ª Parada Gay da cidade de São Paulo

2015 – “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me”

Embora na edição anterior a organização do evento não havia feito uma divulgação oficial, estima-se que aproximadamente 2 milhões de pessoas participaram da 19ª edição na Av. Paulista no dia 07/06/2015 trazendo como tema “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me!”, inspirado na música tema de Gabriela, personagem criado por Jorge Amado. O tema buscava uma auto-afirmação pela comunidade LGBT, buscava celebrar as diferentes identidades e o respeito à diversidade.

“Em todos os anos temos organizado vários temas ligados à questão política. Nesse ano, optamos por mudar e fazer um trabalho com a auto-afirmação e a auto-aceitação da comunidade LGBT diante de tantas políticas contrárias a nossos interesses que existem por aí, como a ‘cura gay’, por exemplo. A idéia é fortalecer a auto-estima da nossa comunidade”, disse Fernando Quaresma de Azevedo, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT) em entrevista ao Terra.

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Cartaz anunciava a Parada de 2015

“Eu vejo a parada como um protesto, não como uma festa”, disse. “Usei as marcas de Jesus, que foi humilhado, agredido e morto. Justamente o que tem acontecido com muita gente no meio GLS, mas com isso ninguém se choca.”

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A atriz Viviany Beleboni, transexual, falou em entrevista ao G1, que como forma de protesto se prendeu à cruz, encenando o sofrimento de Jesus, para “representar a agressão e a dor que a comunidade LGBT tem passado, explicou decorrente das criticas sofridas por setores conservadores.

Em cima da cruz, vinha uma placa com os dizeres: Basta de homofobia! Um reforço ao seu protesto. Viviany disse ainda que: todos podem encenar a paixão de Cristo, mas quando é um travesti não pode, não é?

O que é possível perceber é a representação e o sofrimento de um grupo que tem sido vítima constante de preconceito. O que realmente deve nos incomodar não é tanto a cena em si, mas aquilo que ela pretende denunciar. Os discursos inflamados, travestidos de piedade cristã, só fomentam a intolerância e o preconceito. O que para uns parece ser visto como um insulto, para outros é um grito de socorro que precisa ser ouvido.

Em forma de protesto, também havia cartazes com os dizeres “Fora Cunha”, uma mensagem direta ao ex presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que defendia pautas conservadoras como a criação do Dia do Orgulho Heterossexual.


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Por Alex Faria

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