O olhar sociológico compreensivo

Buscando promover a integração e a sensibilidade fotográfica a partir do olhar sociológico, o professor Arakin Monteiro propôs aos alunos da disciplina “Sociologia Compreensiva” que desenvolvessem um exercício de interpretação das Conexões de Sentido na Cidade de São Paulo a partir de fotografias e comentários autorais dos alunos.

Foto de Viramundo Mundovira

Foto de Viramundo Mundovira

“Aquela cachorrada… A deficiência na politica trazendo o caos para o menos favorecido, privilegiando apenas a burguesia.”

 

Foto de Vitão Oliveira

Foto de Vitão Oliveira

“Foto de um bairro de Itapevi, onde até parecia calmo por ter sido o domingo de eleição, mas em dias de chuva é fácil de se perceber os moradores preocupados e quando vêem viaturas rondando a área ficam todos desconfiados. É de se saber que tem quem trabalhe e financie o tráfico por ali, mas também tem muitos trabalhadores honestos que sabem que podem acabar perdendo seus filhos e entes queridos por estarem em círculos de amizades”

Foto de Tiago Daniel

Foto de Tiago Daniel

“…”Minha Casa Minha Rua”
No primeiro plano da imagem temos uma “cozinha” improvisada, e ao fundo uma “barraca camping” bem desgastada. Quem não conhece o cotidiano desses moradores em “situação de rua”, ao ver esta foto pode inferir que estão dormindo, ou do outro lado pedindo esmolas, ou ainda, ingerindo bebidas alcoólicas ou consumindo drogas. Na verdade, nesse perímetro tem duas a três famílias, uma neste lado da rua e outra na margem não fotografada. A outra família tem sofá e cama, mas não tem a cobertura de uma barraca. Ambas as famílias são trabalhadoras. Por volta de 7h a 8h da manhã estão tomando o café para irem a luta do trabalho. Juntando coisas na rua e mesmo lavando carros. Por volta das 18h começam a chegar. A cozinha que vemos é compartilhada por todos eles.”

Foto de Victor Castro

Foto de Victor Castro

“O primeiro meio de informação, a fofoca.”

 

Foto de Thauane Possimoser

Foto de Thauane Possimoser

“Podemos observar as causas da desigualdade social tendo como exemplo a má distribuição de renda e dos recursos, a lógica do mercado capitalista e falta de investimento nas áreas sociais.Temos como consequência a pobreza,miséria e mortalidade infantil.”

Foto de Renata Lima

Foto de Renata Lima

“Enquanto a tradição se embrutece e esquece a maioria que fica escancarada a mercê de todas as possibilidades do relento,nada é feito, a não ser ignorar a vida que é igual para todos…una com menos oportunidades que outros mas isso não deveria ser relevante pois a vida é uma só independente de quem seja. Essa é a minha foto escolhida”

Foto de Rodrigo Guilherme

Foto de Rodrigo Guilherme

“Essa imagem retrata a vida pacata que o trabalhador enfrenta todos os dias, podemos perceber pela expressão de cansaço facilmente visível, que em vez do trabalho depender de nós, nós é que dependemos dele, pois somos criados desde cedo a partir de falsas expectativas meritocráticas que são passadas para nós através dos meios de socialização, o nosso meio, nosso sistema quer nos fazer escravos desse trabalho, por isso a realidade é muito triste.”

Foto de Paula Ramone

Foto de Paula Ramone

“A propaganda, ao lado esquerdo da foto, é de um creme capilar para mulheres e exibe uma mulher branca, loira, jovem, de cabelo liso e magra. Ao lado direito, uma mulher real que, como a maioria da população, não está representada na propaganda. O impulso que as mulheres terão para consumir o produto será advindo da necessidade de sentirem-se incluídas no padrão de beleza ilusório criado pelo mercado, de forma que negarão sua verdadeira aparência. Onde a propaganda diz “máscara express” referindo-se a um simples creme de cabelo, cabe uma perspectiva crítica que indica uma máscara moldada para singularizar a beleza feminina, escondendo violentamente a realidade.”

Foto de Pamela Carla

Foto de Pamela Carla

“Problemas uma bebida tem a solução!.
Ilusões!!!”

 

Foto da aluna Olívia Martins

Foto da aluna Olívia Martins

“Estação do Brás, horário de pico. No centro da foto uma mulher lê um livro. Os demais passageiros estão atentos a chegada do metrô. O livro, objeto cada vez mais raro, é um estranho no ninho no caus matinal.
A maioria dos passageiros preferem ouvir música, mexer no celular. Até a antiga conversa não é mais localizada nas aglomerações, todos vivem o mesmo problema, ausência de conforto mínimo no transporte público, mas não falamos, não nos indignamos com ele. A mulher que lê parece desconectada do espaço e do tempo.”

Foto de Nans Winter

Foto de Nans Winter

“…”Promessas e esperança”
Propaganda da operadora tim. Na imagem um anúncio “recarga milhonaria”, ao lado alguém em férias.
(Faça uma recarga e ganhe uma recarga nas suas energias), na praia o sonho do descanso.
Propagando colocada na estação de trem, local onde as pessoas esperam todos os dias o trem pra trabalhar, estudar… Pra mudar de vida…
Nada mais lógico que uma propaganda dessa chance, em um local onde (mais de) um milhão esperam por algo melhor!”

Foto de Merces Demison

Foto de Merces Demison

“Muitos olharão para essa imagem e talvez não conseguirá detectar os mesmo aspectos que eu. A escolhi pelo simples fato de me parecer algo tão complexo e ao mesmo tempo simples.

Se olharmos com atenção, em meio a esse trânsito caótico da Av. Francisco Matarazzo, Barra Funda, São Paulo, no meios dos carrões, nota-se um homem de pele negra vendendo pacotes de amendoins e panos de prato, ele sempre atento ao fechamento do sinal, pois é o sinal quem determina a hora exata de colocar a mão na massa, o sinal de trânsito é o seu chefe naquele momento.

Trabalho perigo, né? Talvez para ele talvez não. O seu chefe (o sinal/semáforo) pode abrir a qualquer momento, mas isso não o intimida, se tem uma coisa que ele sabe é driblar os carros e ficar atento ao sinal de tal modo que entrega as mercadorias, recebe o pagamento, dá o troco e ainda sorri para seu cliente (passageiro) em tempo hábil, como se tudo isso tivesse que ser assim mesmo.

Ufa! Santa habilidade do vendedor, menos mal, assim ele está “seguro”!

Na esquina há dois policiais em sua motos “pomposas” que dá um ar de segurança ao rapaz, “só que nao!” Eles nem notaram o nosso vendedor, talvez estavam com pressa e preocupados em manter a segurança de um outro alguém lá na frente que não fosse negro. Que bom que eles não notaram nosso negro vendedor, imagina se notassem tuda aquela cor suando ao sol de 30 graus ” tudo ia ficar muito seguro”, talvez não para ele.

O Brasil, atualmente está com uma taxa de desemprego de 11,6% segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), mesmo assim damos “aquele jeitinho” para tirar o sustento para nossa família. Mesmo não havendo a devida segurança, a devida democracia mesmo não sendo vistos por quem deveriam nos ver, mesmo assim enfrentamos tudo isso com aquele nosso jeitinho que não sai de moda, se ele é bom ou ruim?! Tanto faz aqui neste momento, quem vai dizer são nossas relações sociais e culturais.”

Foto de Marcos Vinicius Vieira

Foto de Marcos Vinicius Vieira

“As coisas mudam o tempo passa e nos esquecemos que já foi muito útil.
Essa foto representa como as coisas vão mudando junto com o tempo, o telefone público (orelhão) tenha perdido sua utilidade, e talvez nem tenhamos percebido, ou talvez sim é não demos importância, pois era para uma coisa melhor o telefone móvel, o tempo será sempre assim cruel conosco? O que podemos fazer a respeito? Nos esqueceremos que um dia foi útil? O quanto já se foi e não demos conta? E o que sobrará disso será a pura carcaça jogada num canto esquecido que já se foi muito usado.”

Foto de Natana Oliveira

Foto de Natana Oliveira

“Essa foto foi tirada no dia 17/10/2016, no vale do Anhangabaú. O que chamou a minha atenção foi a forma de vida dessas pessoas. Em um país que julga ser um país de todos e faz as pessoas acreditarem que todos têm os mesmos direitos deixa tão explícito a carência dessas pessoas. As barracas são oferecidas para eles apenas no frio, pois no calor as autoridades acreditam que não tem problema dormir no relento. Enquanto muitos deles passam fome, as pessoas jogam comida fora. Sofrem preconceito, pois por morarem na rua e por sua aparência muitas pessoas acham que são ladrões. Ao mesmo tempo em que causam medo são invisíveis, pois quando pedem ajuda ou comida são ignorados. O que os faz ser diferentes é a falta de oportunidade ou a falta de vontade deles de ter uma oportunidade?”

Foto de Kevin Dias Dantas

Foto de Kevin Dias Dantas

“Esta foto me remete a uma conexão do passado com o presente.

Uma conexão com o período feudal relacionado ao capitalista.

Dos vestígios não somente nos três prédios da imagem, mas na figura política que cada instituição representa.

Da igreja intacta e bem vista.

Da burguesia/suseranos, hoje empresários e poderosos. A esquerda

Dos vasalos hoje proletários a direita(só na foto, não na posição política).

Em fim está conexão me mostra o quanto o futuro repete o passado, e sempre prometendo-nos um museu de grandes novidades. ( licença ai Cazuza)”

 

Foto de Mamau Lima

Foto de Mamau Lima

“…”Belo dia,entre famílias”

Em um belo dia, pensei em cada pessoa se levantando da cama, e olhando uns para seus filhos e esposas, e outros para os amigos e chamando para ir jogar uma bola, levar o filho para andar de triciclo, e compartilhando experiências mútuas entre famílias e amigos, acredito que pelo esplandecer de seus rostos é um dia especial para cada um, apreciando cada gesto e compartilhando de cada emoção e alegria e todos sendo atenciosos uns com os outros, e o melhor no futuro terem essa lembrança agradável, e espero que esse laço nunca se desintegrem, então me pergunto, será que isso um dia não acontecerá mais, por causa da idade, do tempo, do trabalho , à pressa impossibilitará de que esses momentos aconteçam novamente, será que um terão tais lembranças desses momentos de plena harmonia, e perceber o quanto esses momentos são valiosos, será que um dia sentirão a falta de sentir essa emoção que poderá ter sido esquecida.

Nesse único espaço, onde existem atividades diferentes, culturas diferentes, famílias diferentes, coexistem emoções que dão sentido à aquele momento.”

Foto de Kethy Silva

Foto de Kethy Silva

“Trabalhadores na linha Verde (Ana Rosa)”

 

Foto de Johnny Dos Santos

Foto de Johnny Dos Santos

“Verticalização: Seja por interesse, seja por necessidade.

A foto retrata o antagonismo social e as diferentes transformações humanas na realidade, diante de suas condições sociais.

A frente há na foto uma típica casa, residente por famílias com baixa renda econômica, cujo , devido á necessidade imposta pela condição em que vivem, verticalizou-a; ao fundo, há um típico prédio, residente por famílias de classe média e propriedade de um individuo de alto poder aquisitivo, que para alavancar seu poder, verticalizou-o.”

Foto de João Vitor Campos

Foto de João Vitor Campos

“Registro em uma das primeiras manifestações contra a Reforma Do Ensino Médio. A ideia que se passa através da ação racional do homem mostrado, pode ser considerada como “chamativa”, para despertar a atenção e atrair com evidência a manifestação para a mídia, que diversas vezes tenta omitir e disfarçar os atos, e para os manifestantes que puderam obter uma representação diferente e com rendimentos e ganhos.”

Foto de Ivana Pinheiro

Foto de Ivana Pinheiro

“UBUNTU: Pequena memória para um povo sem memória
Cemitério Dom Bosco Perus/Sp
A foto retrata um grande marco para a sociedade apesar de muito triste, a ditadura militar. Esse memorial é uma homenagem aos presos políticos feita por Luiza Erundina quando era prefeita de São Paulo e pela Comissão de Familiares de Presos Políticos desaparecidos exatamente no local onde a vala única foi encontrada. Um memorial que talvez poucas pessoas tenham conhecimento e as que tiveram, poucas vezes se lembram da dor da perda que os familiares dessas pessoas sentiram e sentem até hoje alguns até pelo fato de nunca ter encontrado vestígio do seu parente desaparecido. Preço da liberdade de expressão, peço do ir e vir de onde quiser a hora que quiser, o preço da democracia e do poder se manifestar…muitos pagaram esse preço caro por nós pra hoje assistirmos a mesma democracia que um dia foi sinônimo de luta ser jogada na sarjeta”

Foto de Isabel Alencar

Foto de Isabel Alencar

“Contrato social.
Podemos observar através da foto um casamento, que na maioria das vezes é imposto pela sociedade como uma obrigação a muitas mulheres, muitas se casam sem ter a vontade ou que imaginam que sentem essa mesma. E caso você não siga essa linha, esta fora do que a sociedade leva como ideal. A critica não é com relação a União de duas pessoas, mas sim a necessidade de formalizar um contrato com isso.”

Foto de Gabriel Silveira

Foto de Gabriel Silveira

“A ação do tipo tradicional está alicerçada em hábitos e costumes firmados na vivência do sujeito. Age-se de determinada forma porque sempre se agiu assim.”
Uma clara Ação Tradicional pois o indivíduo que obteve a imagem seguiu um padrão que ja é tradicionalmente imposto que quando necessitamos fugir dos problemas impostos pela sociedade, vamos para lugares mais calmos e de contato com a natureza.”

Foto de Caslu Altea

Foto de Caslu Altea

“Números de telefones, pornografias, taras, fetiches estampam as paredes das cabines dos Banheiros Públicos, já ate nos acostumamos com as pichações mas hoje utilizando o banheiro me deparo com uma chamada um tanto quanto diferente…

Que diferença faz na tua vida se João ama Joaquim, e Maria ama Antônia?”

Foto de Felipe Proença

Foto de Felipe Proença

“Ordem e Progresso – Todo peso do mundo nas costas do trabalhador, que aceita o ônus da manutenção do pacto social através da alienação de suas vidas”

 

Foto de Bhreno Dumont Lessa

Foto de Bhreno Dumont Lessa

“Que a arte não nos deixe esquecer”

 

Foto de Bárbara Estér

Foto de Bárbara Estér

“Vamos jogar!
Você usa drogas ou elas que te usam?”

 

Foto de Aurélio Galdino

Foto de Aurélio Galdino

“Na imagem podemos ver as condições oferecidas pela atual prefeitura Fernando Haddad para o serviço de assistência e desenvolvimento social. É importante salientar que os carros oficiais oferecidos para as polícias militar, civis e GCM e outros servidores são modernos e confortáveis.

A imagem retrata a falta de investimento público e o descaso com relação a políticas sociais que podem beneficiar de forma positiva (entre seus muitos aspectos) a sociedade. Reforça a visão de que os órgãos públicos enxergam o assistente social como subclasse e que os conflitos produzidos pela sociedade só podem ser resolvidos por meio da força e da dissuasão.”

Foto de Anna Molina

Foto de Anna Molina

“Pela perspectiva da pessoa que fez esta pichação, é possível analisar que houve um momento de revolta, que resultou nos dizeres na imagem expostos: “3,80 não. A cidade vai parar”.
Nessa época estava estourando diversas manifestações em São Paulo contra o aumento da tarifa, onde se reuniam militantes de vários movimentos políticos e sociais, independentes, etc., pela frequência com que estava havendo esses atos e pelo grande número de pessoas, se acreditava naquele momento que a cidade pararia, até que o aumento fosse revogado.
Essa pichação trás uma sensação de que tais movimentos tinham como objetivo provocar um certo recuo por parte das autoridades responsáveis pelo aumento da tarifa, bem como despertar a revolta popular diante disto.”

Foto de Winner Batista Rocha

Foto de Winner Batista Rocha

“Fotografada em São Bernardo do Campo, visa buscar um pensamento de libertação da monotonia, daquilo que é rotineiro e cotidiano. A leitura liberta a mente e a alma, nos faz sair da zona de conforto.”

Foto de Carolina Cinti

Foto de Carolina Cinti


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2 respostas em “O olhar sociológico compreensivo

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