Movimento Caras Pintadas e sua história

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O Brasil está vivendo um momento político importante para a história mundial. Depois de sair do período de Ditadura, elegeu o primeiro presidente por voto direto (1992), uma década depois, elegeu o primeiro presidente de Esquerda (2002), e 8 anos depois, elegeu a primeira presidente mulher (2010). Todos esses fatos têm um “protagonista” em comum: o Jovem. Nesta postagem, vamos falar especificamente dos jovens que fizeram história no Movimento Caras Pintadas.

Os integrantes do movimento são oriundos da Ditadura que por conta da repressão, afastou os jovens das lutas sociais, e ao perceberem o processo histórico que estava atravessando o país (em 1992), viram uma oportunidade de retorno e de fortalecimento juvenil:

“O movimento dos “caras-pintadas” surgiu em agosto de 1992 e, somente alguns meses depois recebeu este rótulo. Suas raízes, porém, devem ser analisadas desde a década anterior, em especial o ano de 1989, que marcou a eleição de Fernando Collor.

Em 1989, pela primeira vez os adolescentes, entre 16 e 18 anos, puderam participar diretamente de uma eleição. Durante a década de 80 foi fato comum a participação de adolescentes nas campanhas eleitorais – estaduais e municipais – fazendo “boca de urna”. Ligados principalmente aos partidos de esquerda, os jovens voltavam a participar da vida política do país, pois o radicalismo do movimento estudantil, na década de 70, provocou um distanciamento de grande parte da juventude…” (pag. 1)

Qual era o perfil do jovem que pediu “Fora Collor”?

Segundo Dias, o jovem era tipicamente burguês, que não trabalhava, apenas estudava e tinha escolaridade secundarista ou universitária, que para a época, era uma posição pertencente ao jovem de família abastada (a população carente era escolarizada até a 4ª série, por uma necessidade mercadológica).

Um fato curioso, apontado pelo autor, é que parte da juventude que saiu às ruas pedindo “Fora Collor”, votaram em Collor como forma de ver uma mudança, pode-se dizer que foi um voto esperançoso, um paradoxo que ainda faz parte dos nossos dias atuais. O trecho abaixo se refere à década de 90, mas cabe perfeitamente ao atual cenário político, onde o povo viu em Lula uma esperança de mudança e se viu tomado pelo sentimento de “traição” com o caso de corrupção Lava-Jato:

“…Além disso, devemos salientar que a candidatura de Lula – Luís Inácio Lula da Silva, candidato pelo Partido dos Trabalhadores – também recebeu uma grande quantidade de votos juvenis.

Acreditamos que, de certa forma, a preferência por Collor estava ligada à tendência juvenil de buscar o novo, a modernização da sociedade e Fernando Collor fundou toda sua estratégia eleitoral na modernização do país. 

Essa discussão serve como referencial para inferirmos que as raízes do movimento “caras-pintadas” estão intrínsecas ao pleito de 1989. Collor recebeu o voto de milhões de jovens, que estreando no cenário político sentiram-se traídos ao perceberem que apesar do discurso modernizante e inovador, Collor representava, na realidade, a velha política tradicional de favorecimento e corrupção.

Desta forma, quando em 1992 surgem as primeiras denúncias de corrupção do presidente, uma parcela destes jovens considerou-se enganados e, quando o movimento pelo impeachment surge como alternativa viável, sentem-se compelidos a participar…” (pag 2)

Artigo: Política e Participação Juvenil: os “caras-pintadas” e o movimento pelo impeachment / Luiz Antonio Dias: Doutor em História Social (UNESP- Campus de Assis). Professor Titular de História do Brasil da Universidade de Santo Amaro (UNISA). Coordenador do curso Lato Sensu: “Sociedade e cultura brasileira: perspectivas e debates do século XIX ao XXI” – Universidade de Santo Amaro.

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Jornal Nacional divulga o Plano Collor:

foracollorvejaAlém do perfil, a origem do movimento, as motivações e suas reações diante dos fatos, Dias também ressalta um fator determinante para o impedimento de Collor, o apoio forçado da imprensa/mídia, que acabou fortalecendo o movimento, pois se viu sem alternativa, a não ser a de se colocar contra Collor e derrubar o candidato que ela mesma elegeu.

É interessante e importante a leitura de artigos e livros sobre os movimentos estudantis e jovens (que não são necessariamente estudantes), para a construção do pensamento analítico, crítico e filosófico. A política não é apenas uma área do conhecimento, ela está diretamente ligada ao dia a dia de cada cidadão.

Deixaremos duas indicações de leitura: O artigo que deu base à postagem e o artigo: De estudantes a cidadãos – Redes de jovens e participação política (Ann Mische – Universidade de Columbia), que aborda o papel do jovem cidadão dentro dos movimentos políticos e sociais.

Por Cinthia Almeida

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