A missão que mudou o Brasil

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Na infância, aprendemos que o Brasil foi “descoberto por acaso”, que os portugueses, que tinham o objetivo de chegar à Índia, erraram o caminho e “acharam” o Brasil. Você consegue imaginar o que é “achar” um país? Algumas perguntas ficam no ar quando pensamos por esse viés, né? Por exemplo:

  • Tinha alguém morando nesse “país”?
  • Era só natureza e ai “inventaram” ou “construíram” um país?
  • Mas se descobriram, devemos entender que já existia uma civilização, mas estava “escondida”?
  • Disseram que tinham os índios, e eles já sabiam que eram brasileiros ou eram apenas índios?

Essas questões não são abordadas no período primário escolar, porque as crianças são pequenas demais para ouvir e estudar tamanha complexidade que era o Brasil, e ainda é!

Os indígenas já estavam aqui desde sempre, quando falamos desde sempre, queremos falar que, o “Brasil” (que até o momento da chegada dos portugueses não tinha esse nome) era um território habitado, com várias etnias indígenas, convivendo entre si e “escrevendo” suas histórias. Então, o Brasil não foi achado, descoberto ou inventado, simplesmente já existia como continente (que estava do outro lado do Oceano Atlântico) e em 1.500, com as Navegações portuguesas, tivemos o “prazer” de receber a visita que mudaria a nossa história.

Como dito no começo, o Brasil tem uma sociedade complexa, desde a formação do que conhecemos por Brasil (pós chegada dos portugueses), até os dias de hoje. Darcy Ribeiro escreveu um livro que ilustra muito bem o que podemos chamar de “Brasil Indígena”, aquele que não tinha a interferência dos europeus e dos africanos (que vieram depois dos europeus, na condição de escravos): O Povo Brasileiro. Leitura indispensável para quem quer ter a outra versão dos fatos, que não está nos livros didáticos!

Além da obra recomendada, indicamos o filme “A Missão“, que mostra um recorte do que foi a colonização dos índios e as missões dos Jesuítas. O longametragem mostra um curto período, mais exatamente o fim das missões Jesuítas, mas é super interessante porque fica claro o interesse da Europa (como Estado), da Igreja, dos Missionários e dos Indígenas, com relação ao momento em que estavam vivendo. Não vamos contar, queremos que vejam e analisem, é um filme antigo, que retrata um momento mais antigo (século XVIII), porém, muito atual, como dizem nas redes sociais: #Tão2016 – Veja o filme A Missão

Para complementar o filme, indicamos a leitura do artigo  Profetas e santidades selvagens. Missionários e caraíbas no Brasil colonial, uma análise do contexto social do Brasil colonial, das cartas enviadas para a corte e a igreja e dos fatos que foram registrados naquela época.

TRECHO: …POVOS SEM RELIGIÃO – No caso específico do domínio do “religioso”, as descrições dos viajantes e, sobretudo, dos missionários, são iluminadoras da atitude do ocidente evangelizador diante dos habitantes da Terra dos Papagaios: a descrição dos “selvagens” e de sua religião (ou, melhor, da falta desta) é uma construção que, por um lado, é devida à impossibilidade de reconhecer nos índios o modelo de alteridade religiosa oferecido pelo paganismo clássico e, por outro, é funcional ao projeto catequético. […] Entre os tupinambá, os missionários não encontraram nenhum sinal da “idolatria” ou do “paganismo” que eles esperavam e que caracterizava outras regiões do Novo Mundo, como o Peru incaico ou o México asteca: crenças, sacrifícios, ídolos. Nos relatos, não apenas de missionários de diversas ordens religiosas, ou até de diversas confissões, mas também de viajantes leigos, esta ausência de crença, seja mesmo idólatra, junto com a ausência de outros princípios da civilização que até os pagãos têm, é patente…”

Ler a íntegra o artigo: Profetas e santidades selvagens. Missionários e caraíbas no Brasil colonial (de Cristina Pompa – Doutoranda da UNICAMP e da École de Hautes Études en Sciences Sociales).

Veja o trailer do filme:

Aprender sobre a nossa história vai além de entender o que somos, é antes de mais nada, respeitar quem somos e nos assumirmos de fato! Nossas raízes falam muito sobre nós e ter orgulho de sermos indígenas, é uma questão de entender que o brasileiro respeita o meio ambiente, o próximo e a vida, não é?! #SangueÍndigenaAfricanoEuropeu 😉

Por Cinthia Almeida

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